Cheguei com outra missão em mãos. Dar apoio directo às populações, mas durante o período de eleições. Aguardo a decisão da colocação num dos distritos do país na área rural. Até lá vou frequentando as aulas de tétum, de forma a melhorar as competências linguísticas, que são fundamentais no contacto directo com os autóctones.
As sensações são variadas neste reencontro com o povo das duas caras (ora crocodilo, ora rapaz – ver a “Estória do Crocodilo”). O corpo precisa habituar-se às elevadas temperaturas e humidade do ar. A respiração torna-se mais difícil, as roupas colam-se ao corpo, as pernas parecem pesar mais, o pó circula no ar, os insectos importunam os movimentos sempre que tentam provar o sabor da pele ou sangue, o sol queima a delicada pele dos caucasianos.
Se por um lado o corpo vê-se sujeito a um novo ambiente que lhe parece hostil, por outro o espírito sente igualmente os novos desafios. A mudança de registo cultural é essencial, i.e., não olhar com os mesmos olhos as formas de “pensar, sentir e agir” dos timorenses. É necessário colocar novas lentes. As sensações mais difíceis de experimentar não são contudo as físicas. Ver as condições que a maior parte vive é certamente mais difícil…